sexta-feira, 8 de abril de 2016

Esta minha alma de barro

Garota desbocada é um espaço visualmente tosco, ideologicamente irreverente, em que posto artigos politicamente incorretos sobre as minhas insatisfações e inquietações. Se quiser rir e praguejar comigo, entre e fique à vontade RS
 
Olho pela janela da alma. Das possibilidades. Vejo cores mil se dissolvendo à minha frente. Um perfume suave e picante invadindo e preenchendo as minhas lacunas, meus abismos...fazendo meus vazios transbordarem.
 
Olha para o meu maior e mais obscuro e escuso segredo com olhos embriagados, com olhos de quem já tudo viu, com olhos de quem tudo já sentiu e viveu...
 
E a mim resta simplesmente sorrir meio inconsequente e louca, meio desvairada e esvaída, meio nua e santa.
 
A mim resta brincar com as palavras que nada dizem, jogando-as para um canto e outro da boca como a parte finda de um doce muito amargo que se acopla a mim. Como o findar de um vinho envenenado que me enrubesce a alma. Que me faz caminhar e dançar meio sem rumo pela noite escura sem medo do amanhecer, fingindo de forma canastrona, me atirar de viadutos erguidos pelo status quo.
 
A mim resta lamber minhas feridas ainda abertas. Chorar e gargalhar de pena de mim mesma. De amor.
 
 
 

 

Sílvia Marques é escritora, professora doutora e escreve regularmente na Obvious.  Viciada em café, chocolate, vinho barato, dias nublados, filmes bizarros e pessoas profundas. 








 

3 comentários:

  1. O Barro, para o povo do nordeste é o chão, são as paredes da taipa e suas obras feitas a mão. A gente molda e recriar. Damos forma e características. Pintamos com várias cores o cotidiano. Às vezes uma representação de uma vida sofrida e outra da alegria de um povo valente. Que enfrenta a seca, a fome, a dor, a saudade e a dura realidade da vida. Mas, o barro continua sendo a obra prima e o essencial para viver.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Nada é eterno, a dor, um dia passa, mas precisamos dar seguimento a nossa vida, pois, ainda estamos vivos.

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