quinta-feira, 13 de julho de 2017

Declaração de amor niilista!

Garota desbocada é um espaço visualmente tosco, ideologicamente irreverente, em que posto artigos politicamente incorretos sobre as minhas insatisfações e inquietações. Se quiser rir e praguejar comigo, entre e fique à vontade RS

A vida não faz sentido. Mas comer sushi é bom.

A vida não faz sentido. Mas tomo meu vinho gelado com boca boa.

A vida não faz sentido. Mas quero fazer amor.

A vida não faz sentido. Mas estou louca por um crepe vendido em praça de alimentação ou enviado delivery dentro de uma caixinha.

A vida não faz sentido. Mas minha camisola bordô ainda é nova e quero usá-la até a renda se partir como as das minhas calcinhas surradas.

A vida não faz sentido. Mas ainda não aprendi a dançar tango nem Flamenco.

A vida não faz sentido. Mas ainda não li Proust nem Joyce.

A vida não faz sentido. Mas quero ir ao churrasco de domingo.

A vida não faz sentido. Mas quero ainda ouvir a campainha do teatro antes da peça começar. Quero me sentar no balcão do Municipal.

A vida não faz sentido. Mas quero comer um punhado de cerejas frescas no Natal. Levar um figo á boca. Me sujar.

A vida não faz sentido. Mas quero ganhar mais um presente de aniversário, rasgar o papel com mãos ávidas.

A vida não faz sentido. Mas quero chorar ao som de Henry Mancini ou de Michel Legrand ou de Maurice Jarre.

A vida não faz sentido. Mas quero escrever mais uma poesia ao som de Charles Aznavour  e dividir um fondue ouvindo Ne me quitte pas e pensar em tudo escutando Que rest t-il de nos amours.

A vida não faz sentido. Mas quero lembrar da minha infância por meio do cheiro de orégano e manjericão do molho da macarronada.

A vida não faz sentido. Mas quero fazer mais alguns gestos tempestuosos , ver mais filmes de arte , enfiar os pés pelas mãos , ser eu mesma com o meu batom vermelho.

A vida não faz sentido. Mas preciso tomar mais um banho de chuva, ter seus olhos sobre a minha blusa colocada , rir meio bêbada , sem medo de nada.
 
A vida não faz sentido. Mas quero mais uma vez dormir em seus braços.

A vida não faz sentido. Mas gosto de ver o seu sorriso, o seu corpo caminhando na direção do meu, seu colete , seu jeito de menino amadurecido às pressas na plataforma do metrô.



















































 
 















Sílvia Marques é escritora, professora doutora e escreve regularmente na Obvious.  Viciada em café, chocolate, vinho barato, dias nublados, filmes bizarros e pessoas profundas.








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