Garota desbocada é um espaço visualmente tosco, ideologicamente irreverente, em que posto artigos politicamente incorretos sobre as minhas insatisfações e inquietações. Se quiser rir e praguejar comigo, entre e fique à vontade RS
A garota desbocada não poderia deixar de se manifestar no dia internacional da mulher. Já escrevi meu artigo ferino, porém bem educado e com pitadas acadêmicas para a Obvious.
Aqui, posso me despir no quarto ou no banheiro de porta aberta. Se quiser entrar , puxe uma cadeira ou sente-se na cama. Pouco me importa. Só quero que fique à vontade...ou não, como diria Caetano Veloso.
Ontem, por sugestão de uma aluna, assisti ao filme Malévola. Caímos num debate sobre a semiótica dos contos de fadas e algumas garotas bateram o maior bolão. Sim, as meninas de hoje dão um show de esperteza nas da minha época, quando eu era uma garota no sentido stricto sensu.
As novas gerações já perceberam que o amor romântico é mais problema do que solução. Se antes a gente pensava que era impossível ser feliz sem amor romântico, hoje em dia, muitas garotas já sacaram que até dá para ser feliz apesar do amor romântico.
Vivi 37 anos no alto de uma torre esperando que alguém me salvasse. Não precisava ser um príncipe. Podia ser alguém comum, de carne e osso, sem carro, sem dinheiro no banco, contanto que me amasse e se deixasse amar por mim, num jogo sem perdedores. No verdadeiro amor só há vencedores. Pelo menos esta era a minha crença.
As meninas de hoje parecem entender que tudo é jogo mesmo no mau sentido da palavra. E que se a gente quiser sair pelo mundo e viver, tem que descobrir uma escada de incêndio ou qualquer outro meio de escaparmos da torre.
Para alguém como eu, este aprendizado é muito duro. Mas como ainda sou uma garota lato sensu, acredito que possa absorver o essencial desta filosofia de vida toda.
Aprender não é problema para mim. Morrerei aprendendo. Não tenho medo de juntar as minhas tralhas e mudar de estrada caso a atual esteja me levando para um destino indesejável. Aprender e recomeçar são os meus nomes do meio.
E esta é minha pequena e mordaz homenagem ao dia internacional da mulher. Morram de paixão. Quebrem a cara. Mas nunca se esqueçam de quem vocês são: as senhoras de seus próprios reinos e muito mais feiticeiras do que princesas.
Sílvia Marques é escritora, professora doutora e escreve regularmente na Obvious. Viciada em café, chocolate, vinho barato, dias nublados, filmes bizarros e pessoas profundas.